sexta-feira, novembro 14, 2008

"NÓIS FAIS"




Desde que me entendo por gente, ouço que viver é aprender. E como é! Ouvindo e observando, cada instante vivido é uma lição.

Uma atendente da padaria onde costumo comprar o pão das seis e trinta da matina, chama a atenção pelo bom humor. Para ela não importa o tamanho da fila... tem sempre um sorriso e um BOM-DIA, vindo do coração, mesmo que o “freguês” apenas rosne com a cara amarrada ainda sonolenta. Hoje ela dirigiu um sonoro Bom-dia a uma garota tipicamente adolescente. A mocinha, com cara de desdém, respondeu arrastando a preguiça: é...tomara que seja “mermo” né? A senhora mais animada ainda: “Se o dia não for bom, nóis fais ele ser”.

Fiz meu trajeto de volta pensando nessa mensagem de otimismo.

Lá onde tô preparando chão pra fincar minhas raízes, tenho convivido com pessoas que trabalham pesado de sol a sol, sem reclamar de salários, sempre dispostas a produzir mais, a ajudar a quem precisar e ainda têm tempo pra uma prosa sadia; e se a gente pergunta como conseguem tempo pra tanta coisa, respondem sorrindo: “Tempo, nóis fais”.

Com certeza, essa gente não leu aqueles famosos livrinhos que nos ensinam a fazer limonada dos limões que a vida nos oferece ou a observar que o copo meio vazio é o mesmo meio cheio, visto por outra ótica....mas sabem na prática e nos ensinam a valorizar o que deve ser valorizado. Que eu aprenda a fazer tempo pras coisas que valem a pena e que eu saiba tornar bons os dias que possam parecer ruins!

Que seja BOM o nosso DIA!

segunda-feira, novembro 10, 2008

"Mea" Luz


Treva, treva,treva...
Tremeluz
A luz
da vela
nada, nada além do breu
Luz??? Pra quê???
Se há luz cá dentro d’eu?
Dentro vejo
clara mente
lua cheia
morna chama
alma serena
em plena paz.

Meia-taça, demi-sec
Brindo um seculo
menos meio
eu comigo
meio a sós
meio a sonhos,
meio a sons a meia-voz...

São mistério os sons da noite
Como mistério é o tempo
Entre nascente e poente,
Entre fim e recomeço,
É o meio por um fio.

Ao longo do meio-fio
Sigo...prossigo...
Persigo asas
Meio a folhas
Meio a secas e molhados
A perdidos e achados

Ao largo do meio, inteira
Ao meio do dia paro.
Ao peso do meio, largo.
Do meio-amargo largada.

Ao longo do meio, fio
Teço a malha
Em que me aqueço
Ponto a ponto,
Anoiteço.
Amanheço.
Clara mente, iluminada

sexta-feira, novembro 07, 2008

Voltei!


Andei afastada...nem encasulada, nem enclausurada. Foram dias de “concreto’ em que o sonho ficou de lado...dias de mudanças, reforma, reconstrução. Mas alma de passarinha não vive sem as levezas dos sonhos. Cá estou, de volta a meu celeiro de abobrinhas, minha casa quase abandonada.Então, mãos à obra! Hora de afastar as teias de aranha, as ervas daninhas, cuidar do jardim para que voltem as borboletas e os passarinhos; hora de abrir as janelas pros sóis nascentes ou poentes, pras chuvas fininhas, pras luas novas ou cheias. Reabrindo a casa, penduro na parede da sala um presente que recebi do meu terceiro sobrinho, aquele de quem falei em “Gente Brilhante” há um tempinho, lembram? Agora, tem onze anos e brilha no Colégio Militar de Brasília, tem o nome registrado na “Garança Poética 2008”, uma coletânea de trabalhos de alunos marcando os trinta anos do Colégio.
Eis o poema:

Os pais

(Gabriel Rodrigues Soares)

Como podemos responder
Aos nossos pais
Se são nossa fonte de saber,
De alegria e de outras mais.

Os meus vieram do Piauí
Trabalharam muito ali.
Cresceram e estudaram
E o meu futuro abençoaram.

Não me dão presente de aniversário,
Mas o conhecimento necessário
Tenho em mente,
E esse é o melhor presente.

Tenho de agradecer
Pelos pais que pude ter.
São meus melhores amigos
E quero que estejam sempre comigo.